Paraíba, 06 de fevereiro de 2012

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O Governo municipal cria projeto “Artista da Terra”

    Pode-se elencar duas espécies de realidade: uma ordem que denominamos realidade natural e uma outra que denominamos realidade cultural, ou mesmo realidade humana, pois é o homem que possui habilidades próprias para o exercício da cultura. Seguindo essa linha de pensamento, podemos considerar que existe aquilo que é dado pela natureza e aquilo é construído pelo homem. A cultura é esta construção.

    O Cine Orion, que entre os cinemas alcançou a maior capacidade de público do Estado da Paraíba, reabriu as portas em 2003 e funciona atualmente também como casa de show. Entre manifestações culturais de outras terras, apresentadas seja por meio de filmes ou de festas, há também as manifestações dos autóctones, a exemplo da banda de pop rock nacional e internacional Arquivo 08, cujos integrantes, todos rio-tintenses, já possuem inclusive composições próprias. A princípio, o termo vaquejada era a reunião do gado das fazendas, para as castrações, a ferra, o tratamento das possíveis bicheiras. E das apartações. Para tanto havia a derrubada do boi. As fazendas, nos tempos mais modernos já não juntam tanto gado. Mas o espetáculo continua. Há vaquejadas em muitos municípios, em parques construídos para tal, inclusive Rio Tinto. É emocionante, competitiva, de muita torcida. Pelo boi, é bom dizer, embora seja o que geralmente cai, derrubado pela destreza do vaqueiro.

    Buscando as raízes nordestinas, o casal Rock e Edileusa, essa natural de Rio Tinto, com cantoria de viola, literatura de cordel, pastoril e coco produziram um CD “Cascaviando papéis”, com composições próprias. Para eles, a sociedade apenas poderá preservar sua identidade se houver uma busca constante que lhe assegure uma imagem de sua essência cultural. No mesmo sentido, existe a premiada quadrilha Oxente Paraíba.

    Nas letras, a cidade escreveu e leu João Batista Fernandes, o Batistinha, com os livros “Rio Tinto, o extinto”, “Rio Tinto, o falso município” e, mais recentemente, “O Pai do Vento”; o saudoso juiz Romero Coutinho, com “25 anos de Rio Tinto, Amenidades...”; Antônio Melo Crisóstomo Cavalcante, com “Coisas que o tempo não apaga, filosofia romântica da liberdade, do amor e da beleza”; o jornalista Ademilson José, com os livros “A Eleição da Máquina” e “O assassinato de Jesus Cristo”. Além de um sem-número de poetas, como Joaquim Araújo e a saudosa poetisa Beatriz Aires de Oliveira.

    Na imprensa, Batistinha também produziu os jornais “O tecelão” e “O equilíbrio”. A Afirt, Associação dos Filhos de Rio Tinto também contribuiu com seu informativo. Mais recentemente, foi editada “Folha Litorânea” escrita, juntamente com Pedro Ferreira de Moura, Júlio Moura e Ademilson José.

    O Governo Municipal criou o projeto “Artista da Terra”, que desde 2001 traz para a praça pública os talentos conhecidos, como Harmonia do Forró, mas até então não reconhecidos pelo poder e pela população. Como na antiga ágora grega, os rio-tintenses têm aprendido a expor na praça o que possui de melhor.




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